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A lenda do Senhor Jesus dos Lavradores

Conta a Lenda que, numa manhã de maio, em longínquos tempos, que remontam aos alvores da nacionalidade, muito provavelmente no Séc. XII ou XIII (Idade Média – Séc. V a XV), andava um grupo de lavradores, com as suas juntas de bois de trabalho, como tantos outros, a lavrar os seus hastins, nos campos do Espargal (Courela do Senhor – versão mais provável) perto dos Casais de Riachos (território geográfico que veio a denominar-se só por Riachos, talvez a partir do momento em que começou a haver uma certa unidade populacional, com a construção da Ermida de Santo António), quando a certa altura os simpáticos animais e indispensáveis auxiliares e companheiros de trabalho dos lavradores riachenses daqueles tempos, ao passarem em determinado local ajoelhavam e, por mais aguilhoados que fossem, negavam-se a puxar o arado (feito em madeira com bico de ferro).

Intrigados com o comportamento dos animais, os lavradores verificaram que a relha do arado empecilhara em qualquer coisa e, recorrendo a enxadas escavaram a terra onde os bois se detinham deparando-se com um túmulo em alvenaria.

Julgando encontrar um tesouro, levantaram a laje de pedra e, para seu espanto, descobriram uma imagem de madeira. Uma imagem de Jesus Cristo crucificado.

A lenda do Senhor Jesus dos LavradoresDe joelhos no chão e mãos erguidas os homens gritaram: Milagre!...

A Imagem que logo ficou a ser conhecida, até aos dias de hoje, por Senhor Jesus dos Lavradores, cautelosamente foi retirada do túmulo. Limparam-lhe a terra do corpo e do rosto e, depois, foi levada para o centro do disperso povoado, aonde, de imediato acorreram, vindos de todos os casais, todos os outros lavradores e famílias, que depressa souberam do milagroso achado. Depois de carregada a Imagem num carro de bois, puxado, curiosamente, pela mesma junta de bois que a encontrou, os lavradores enfeitaram o carro com flores do campo e foram depositá-la na Igreja de Santiago, em Torres Novas, (Santiago, por ser a sede da Freguesia eclesiástica, e civil, à qual o povoado pertencia) pelo facto de naquela época não haver qualquer templo em Casais de Riachos.

Segundo foi relatado de boca em boca ao longo dos séculos, até aos nossos dias, a imagem que ainda hoje é objeto de grande culto e devoção pelos riachensses, (torrejanos e muitos outros) antes de ser entregue à Igreja de Santiago, foi cuidadosamente lavada numa calha de água do velho moinho dos Gafos, situado à entrada de Torres Novas, conhecida depois disso e, enquanto existiu, por Calha do Senhor.

Em “troca” da imagem do Senhor Jesus dos Lavradores, os achadores, receberam da sede do Concelho uma pequena Imagem, também em madeira, a que chamaram Menino Deus.

O facto que conta a Lenda determinou a fundação da Confraria dos Lavradores, a Festa da Bênção do Gado, a Procissão do Senhor Jesus dos Lavradores, a Irmandade do Menino Deus e a Procissão do Menino Deus.